Tuesday, May 5, 2009

Dia da Mãe

Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! Verdadeiro, encarnado! Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

 

 

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

 

 

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

 

 

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

 

 


Almada Negreiros



 

Posted by Diana Cachada at 16:06:58 | Permalink | No Comments »

Sunday, April 26, 2009

Estou a ler…

Neste momento estou a ler “O Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares.


Posted by Diana Cachada at 11:23:07 | Permalink | No Comments »

Herói vs Ídolo

Ao longo do tempo o significado de herói foi evoluindo ou até perdendo a devida importância.

Um herói talvez seja aquele que se destaca mais numa determinada situação, aquele que faz o bem, o que salva as pessoas do mal. Herói tem vários significados e em diferentes ocasiões.

Com o passar do tempo, para algumas pessoas a palavra herói evoluiu para ídolo. Este talvez aquele que influencia comportamentos. A pessoa que gostaríamos de seguir. Poderá influenciar as nossas vidas, por isso não deveremos deixar-nos iludir e imitar aquilo que gostamos e que está errado. Nem tudo num ídolo é errado mas também depende da pessoa que escolhemos para o ser.

Por vezes deixamo-nos levar pelo que vemos. Iludimo-nos facilmente com coisas que às vezes são surreais e mudamos completamente para abdicarmos um pouco do prazer que o outro também sente. Imitamos constantemente aquele que achamos “o perfeito” para também o sermos. Enganámo-nos a nós próprios.

Não nos podemos deixar levar pelo que os outros escolhem, pelo que os outros querem. Temos de ser autónomos e ter as nossas próprias opiniões. Tornámo-nos nós o nosso próprio ídolo.

 

Posted by Diana Cachada at 11:15:50 | Permalink | No Comments »

A minha casa do futuro - Texto descritivo

O sol iluminava toda a casa. Era a minha casa e a dele. Vivíamos há poucos meses neste novo sítio. Cá fora o jardim rodeava a casa. Todo ele com tulipas, rosas, amores-perfeitos… Atrás da casa encontrava-se a piscina onde passávamos os fins-de-semana de Verão quando não íamos à praia. Tínhamos dois filhos, a Inês e o João, mas eu estava grávida. Éramos felizes. A família mais feliz.

A casa estava pintada de branco. Pintada poucos dias antes de chegarmos.

Ao entrar dentro de casa tinha a sala de estar e de jantar. Era enorme, talvez a divisão maior da casa, decorada com velharias dos meus pais e armários da outra casa. Aqui passávamos as noites de Inverno mais frios, ao lado da lareira.

Um pouco mais à frente, passado o corredor que dá para as escadas, tínhamos a cozinha. Aqui tínhamos a maior mesa da casa, ao centro. À volta oito cadeiras. A cozinha estava iluminada por três janelas. Duas delas ao longo da banca e a outra do outro lado da parede. A próxima parte da casa é a casa de banho. Aqui era comum a todas as casas. Nesta tínhamos um chuveiro em vez de uma banheira e a janela ao lado.

Antes de subirmos as escadas tínhamos também um quarto de hóspedes, com uma casa de banho particular.

No andar de cima tínhamos quatro quartos e duas casas de banho. O primeiro quarto era o da Inês, com tudo o que ela precisava e as suas bonecas na prateleira ao lado da janela. O outro quarto era o do João, com as pistas de carros espalhadas pelo chão e os livros da escola em cima do tapete. Do outro lado do corredor estava o nosso quarto. Da varanda tínhamos vista para o mar porque a praia estava a menos de 1km de distância. A estante com os livros que partilhávamos e três tapetes à volta da cama. Ainda tínhamos um quarto por mobilar. Este estava vazio.

Vivíamos felizes. O João passava os dias na escola, a Inês passava as manhãs no infantário, ele no hospital a trabalhar e eu
em casa. Estava prestes a dar à luz. Os nossos pais ajudavam-nos no que precisávamos e os nossos amigos encontravam-se connosco de vez em quando.

Éramos felizes para a eternidade!

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Thursday, April 2, 2009

A ler…

Estou a ler “A Pérola” de John Steinbeck.

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Tuesday, March 31, 2009

Imperfeições do Mundo

Hoje em dia vivemos num mundo de tristezas, se injustiças, de criminalidade e não sabemos o que poderemos fazer para o evitar.

Todos pertencemos a religiões, cada uma com as suas orientações em que não as respeitamos ou vivemos como se não as conhecêssemos. Cada dia que passa ouvimos, vemos e lemos notícias espalhadas por todo o lado em que a criminalidade, o abandono, a morte é nos apresentado em abundância.

Felizmente nem todos reagimos da mesma maneira. Muitos de nós respeitam as principais atitudes que a religião nos impõem.

Mas vamos ter de continuar a viver com estas imperfeições do mundo. As pessoas que as cometem não encontram a verdade, o respeito, a ordem.

Posted by Diana Cachada at 17:21:24 | Permalink | No Comments »

Friday, March 13, 2009

Carta de Reclamação

Diana Cláudia Fernandes Cachada

Rua 14 de Dezembro

4750-791 Barcelos

 

 

Barcelos, 10 de Março de 2014

 

Ex.mos Senhores,

 

Lamento informara V. Exas que o aquecedor que comprei nesta loja, no passado dia 13 de Fevereiro não está em condições de funcionamento.

Na primeira e na segunda utilização o electrodoméstico funcionava devidamente mas, nas seguintes utilizações, não consegui usufruir da sua função. O aquecedor não aquecia e continuava a consumir energia.

Compreendem, portanto, nestas condições não é possível utilizá-lo, pelo que procedo à sua devolução, aguardando  que me entreguem um aquecedor em bom estado para que o possa utilizar devidamente.

 

De V.Exas

Atentamente

 

Diana Cláudia Fernandes Cachada

 

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Monday, March 2, 2009

Estou a ler…

Estou a ler “ Nua e Crua” de Marta Gautier.

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Saturday, February 28, 2009

Sátira

(Aproxima-se o Bota de Ouro do cais e, chegando ao Arrais do Inferno diz:)

 

        B.Ouro    Mas que barca é esta?

        Diabo      A barca mais bonita que encontrarás nestes arredores, meu jovem!

        B.Ouro    Ui! Deve ser deve! Então onde estão os jornalistas? E os meus fãs?

        Diabo     Os teus fãs? Eles nom querem saber de ti! Tu morreste. Os jornalistas nom iam morrer contigo.

        B.Ouro    Eu lá era tão feliz! Às vezes aconteciam-me coisas más i eu ficava mui triste. (diz quase a chorar:) Quero voltar…

        Diabo      Entrai pera a minha barca. Ainda serás mais feliz, meu querido.

        B.Ouro    Tinha tantas “amigas”… Pera onde vai a tua barca?

        Diabo      Pera a ilha perdida. Entrai, cá serás feliz, i então tu que gostas do calor como lá nas Maldivas ou em Cuba.

        B.Ouro    A minha mãe sempre me disse pera nom me portar mal pera nom ir pera o Inferno. Há por aqui outros barqueiros?

        Diabo      Há sim! Mas tu só entras cá. Samicas queiras entrar, nom?

        B.Ouro    Nom, entro aí. Vou-me à outra barca.

 

(Caminha à procura de outra barca, aproximando-se da Barca da Glória)

 

        B.Ouro    Hou da barca!

        Anjo        Que quereis?

        B.Ouro    Saber pera onde navegais.

        Anjo        Pera o Paraíso.

        B.Ouro    É esta a minha barca! Finalmente que a encontre. Andei tanto a pé! Lá na Terra é tudo mui mais fácil, tinha os meus Ferraris…

        Anjo        Nom, esta nom é a tua barca.

        B.Ouro    Mas porquê? Eu sô tão bom menino.

        Anjo        Então tu achas bem o que fizeste na tua vida? Por dia ganhavas mais do que um operário ganhava num ano!

        B.Ouro    Eles que arranjassem melhor emprego. Eu trabalhava tanto.

Anjo        Tu trabalhavas mui? Fazias um simples arranhão i já nom podias jogar. Nem sequer ajudas-te os que mais precisaram. Aproveitaste-te dos outros.

B.Ouro     Eu sô mui importante para a vida deles. Leixa-me entrar na tua barca.

Anjo        Aqui nom entrarás tu.

B.Ouro    Anda lá! Eu dou-te um autógrafo!

Anjo       Tu só  queres o teu bem. Nom ajudaste os outros co dinheiro que ganhavas.

B.Ouro    Se eu entrar na tua barca poderemos conhecer-nos melhor i…

        Anjo        Nom entras cá. Vai-te embora.

 

(O bota de Ouro dirige-se de novo à barca do Inferno)

 

Diabo     Sempre voltaste, minha doçura?

B.Ouro    O outro barqueiro nom me deixou embercar.

Diabo      Eu sempre disse pêra embarcares aqui. Cá terás tudo o que quiseres. Entra, entra, meu querido.

B.Ouro    Estou tão cansado. Espero que tenha tudo o que quero.

Diabo      Asinha, que se quer ir!

B.Ouro    Em boa hora!

 

(O Bota de Ouro geme suplicando pela mãe)

 

B.Ouro   Mãe! Mãezinha, ajude-me. Ai barca que és ardente!

 

Posted by Diana Cachada at 12:34:08 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, February 24, 2009

Máscara de Carnaval

Como te quero e admiro
Máscara de Carnaval…
Máscara querida,
Porque não és fingida…
Tu não mentes,
Dizes o que sentes,
És o que és…
Fica connosco
O ano inteiro;
Ensina o homem
A ser verdadeiro;
Tapa-lhe a cara
De máscara disfarçada,
Que faz do mundo actual,
Um terrível
E constante Carnaval.   

(Autor desconhecido)

Posted by Diana Cachada at 10:52:17 | Permalink | No Comments »