Sunday, June 7, 2009

Viagem de comboio


         
Aproximava-se o momento de deixar por algumas semanas a minha cidade! Ia de férias para Coimbra, para casa de uma prima.

Despedi-me dos meus pais e entrei para o comboio. Sentei-me e mais tarde uma rapariga mais ou menos da minha idade senta-se ao meu lado. Era cega. Cumprimentei-a e fizemos as apresentações iniciais. Chamava-se Francisca e ia para Lisboa, vivia com os pais e um irmão.

Ao mesmo tempo que conversávamos, eu observava a paisagem. As árvores cheias de fruto, os campos com flores, os rios com um ou dois pescadores…

Perguntei-lhe se era cega de nascença e ela disse que sim. Disse que não conhecia o Mundo. Que não sabia como eram as coisas de que falavam. Como era um computador, como era uma porta, uma cadeira… Desde que nascera que via unicamente um fundo negro dentro de si.

Contou-me uma pequena passagem da sua vida. Um dia de manhã saiu de casa somente com uma vara para a ajudar a caminhar. Foi até um parque perto de sua casa mas ao atravessar a estrada para seguir para o centro da cidade, Francisca ia ser atropelada. A sua salvação foi um cão que a viu e não a deixou avançar. Agora esse cão está em sua casa. Era um cão abandonado mas muito bem tratado e treinado. Passou a ser o seu companheiro. O seu melhor amigo.

Fiquei fascinada com a sua história. Perguntei-lhe se ainda tinha possibilidade de algum dia conseguir ver. Ela respondeu-me negativamente. Mas disse que gostava da sua vida apesar de não ver. Que depois daquele dia a sua vida mudou, passou a ser mais feliz e a aproveitar cada momento da sua vida.

O comboio pára. Era a minha paragem. Despedi-me agradecendo-lhe a conversa e saí do comboio com um enorme sorriso.

Posted by Diana Cachada at 14:00:28
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