Estou a ler…
Neste momento estou a ler “O Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares.
Neste momento estou a ler “O Rio das Flores” de Miguel Sousa Tavares.
Ao longo do tempo o significado de herói foi evoluindo ou até perdendo a devida importância.
Um herói talvez seja aquele que se destaca mais numa determinada situação, aquele que faz o bem, o que salva as pessoas do mal. Herói tem vários significados e em diferentes ocasiões.
Com o passar do tempo, para algumas pessoas a palavra herói evoluiu para ídolo. Este talvez aquele que influencia comportamentos. A pessoa que gostaríamos de seguir. Poderá influenciar as nossas vidas, por isso não deveremos deixar-nos iludir e imitar aquilo que gostamos e que está errado. Nem tudo num ídolo é errado mas também depende da pessoa que escolhemos para o ser.
Por vezes deixamo-nos levar pelo que vemos. Iludimo-nos facilmente com coisas que às vezes são surreais e mudamos completamente para abdicarmos um pouco do prazer que o outro também sente. Imitamos constantemente aquele que achamos “o perfeito” para também o sermos. Enganámo-nos a nós próprios.
Não nos podemos deixar levar pelo que os outros escolhem, pelo que os outros querem. Temos de ser autónomos e ter as nossas próprias opiniões. Tornámo-nos nós o nosso próprio ídolo.
O sol iluminava toda a casa. Era a minha casa e a dele. Vivíamos há poucos meses neste novo sítio. Cá fora o jardim rodeava a casa. Todo ele com tulipas, rosas, amores-perfeitos… Atrás da casa encontrava-se a piscina onde passávamos os fins-de-semana de Verão quando não íamos à praia. Tínhamos dois filhos, a Inês e o João, mas eu estava grávida. Éramos felizes. A família mais feliz.
A casa estava pintada de branco. Pintada poucos dias antes de chegarmos.
Ao entrar dentro de casa tinha a sala de estar e de jantar. Era enorme, talvez a divisão maior da casa, decorada com velharias dos meus pais e armários da outra casa. Aqui passávamos as noites de Inverno mais frios, ao lado da lareira.
Um pouco mais à frente, passado o corredor que dá para as escadas, tínhamos a cozinha. Aqui tínhamos a maior mesa da casa, ao centro. À volta oito cadeiras. A cozinha estava iluminada por três janelas. Duas delas ao longo da banca e a outra do outro lado da parede. A próxima parte da casa é a casa de banho. Aqui era comum a todas as casas. Nesta tínhamos um chuveiro em vez de uma banheira e a janela ao lado.
Antes de subirmos as escadas tínhamos também um quarto de hóspedes, com uma casa de banho particular.
No andar de cima tínhamos quatro quartos e duas casas de banho. O primeiro quarto era o da Inês, com tudo o que ela precisava e as suas bonecas na prateleira ao lado da janela. O outro quarto era o do João, com as pistas de carros espalhadas pelo chão e os livros da escola em cima do tapete. Do outro lado do corredor estava o nosso quarto. Da varanda tínhamos vista para o mar porque a praia estava a menos de 1km de distância. A estante com os livros que partilhávamos e três tapetes à volta da cama. Ainda tínhamos um quarto por mobilar. Este estava vazio.
Vivíamos felizes. O João passava os dias na escola, a Inês passava as manhãs no infantário, ele no hospital a trabalhar e eu
em casa. Estava prestes a dar à luz. Os nossos pais ajudavam-nos no que precisávamos e os nossos amigos encontravam-se connosco de vez em quando.
Éramos felizes para a eternidade!